sexta-feira, 28 de março de 2014

Porque Não Há Poesia Nenhuma Em Lágrimas

Hoje é a primeira vez que pego no meu notebook em semanas (ou dias?!). Os dias se fundem em semanas que se fundem em meses que irão se fundir em anos enquanto toda a vida passa depressa demais para que eu possa colocar vírgulas onde não há precisão. Os dias-semanas-meses me tornam cada vez mais consciente do fato de que há coisas que só as mães sabem. Pois mais ninguém vai ouvir certas coisas nem falar certas coisas, como somente uma mãe pode fazer, e eu agora não tenho mais a quem recorrer nestas questões, nem que seja para ouvir o contrário do que eu penso em alguma questão, então tenho que descobrir sozinha coisas que nem como começar a pensar em fazer - ou pensar em pensar.
Sinto uma falta tremenda e parece que tudo parou. Daquele momento em diante, a minha vida parou. Ainda estou em fevereiro. Minha cabeça ficou lá,  no mês passado, marcada no dia 11 de fevereiro, às 16:25h, e naquele exato momento, alguma coisa ligou (ou desligou) dentro de mim e não voltou ao normal. A partir daquele dia um pedaço de mim se foi, se estilhaçou, voou em direção ao nada, em direção a uma eternidade de lembranças e algumas fotos, enquanto ainda houver alguém que se lembre. Perdi a noção das horas, dos dias, dos meses, das datas. (Minha cabeça voou, estou abstrata de mim.). 
Enquanto alguns falam que o que aconteceu foi a vontade de deus, e outros falam que foi melhor assim do que do jeito que as coisas estavam, eu travo uma batalha dentro de mim tentando entender porque. 
E ter consciência disso me deixa mais confusa porque eu vejo o quanto estou confusa, e em como as coisas se fundem na minha cabeça, assim como o tempo se funde com o tempo, e tudo que há dentro de mim explode como um tiro de doze numa melancia pequena. Às vezes me pego sem ar. Às vezes me pego de cabeça vazia, às vezes muda, e às vezes meio surda ao barulho alheio. Às vezes me pego querendo chorar sem conseguir, em outras choro sem ninguém ver porque meu choro é particular e é meu. 
Porque não há poesia nenhuma em lágrimas. 

Paolla Milnyczul 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Gente Que Salva

Tenho andado surpreendida. Cada vez mais vejo que tá faltando gentileza. Tão difícil hoje em dia encontrar pessoas gentis, com brilho no olhar, doçura no coração, a mão sempre estendida, na dor ou na alegria. Tão difícil encontrar quem não olhe somente para o próprio umbigo, que não invente mentiras nas quais acredita como se fossem verdades fenomenais. Parece que o mundo virou do avesso, e que agora ele é dos egoístas, dos cheios de si, dos narcisistas, dos que sabem a vida alheia e não guardam segredos, dos que apontam e riem, dos que tem sua verdade acima de tudo e vivem com o dedo em riste blasfemando o outro sem saber. 
O que me conforta nesse mundo imediatista é saber que somente PARECE ser isso, mas não é. Ainda existe muita gente bonita por fora e fenomenal por dentro, que estende a mão, que consola mesmo de longe, que faz tudo virar amor, carinho e bem querer. Pessoas que dão a volta por cima sem ter que passar por cima de ninguém, que seguram o riso no rosto mesmo nas horas mais difíceis, que não quer saber de blasfêmias sobre a vida alheia, que aconselha para o bem, que fala 'estou sempre aqui' - e está! -, que possuem educação e bom senso, que defende os amigos. Gente de coração gentil que não olha somente para si mesmo, que não tem medo de parecer fraco em momentos difíceis. Gente que te salva sem pedir nada em troca, só um sorriso, um abraço, uma demonstração de coragem. 
O mundo está cheio de corações bonitos em rostos cheios de lágrimas, e de corações cor de carvão nos rostos mais lindos e sorrisos mais brilhantes. Cada qual escolhe o seu. Eu escolho a lágrima, pois ela salva: salva quem a possui, e salva quem a consola. 

Eu tenho sido salva diariamente por anjos. 

Paolla Milnyczul

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Viver. Lutar.


A vida exige muito.
Por ela, a gente tem que lutar:
Lutar pelo que se tem;
Lutar pelo que se quer. 
Porque a vida passa rápido demais,
E tudo anda a passos largos. 
O tempo urge,
A luta continua. 
E lutar às vezes significa deixar estar. 
Vida é luta. 
Luta é vida.
Vida é tudo.

Paolla Milnyczul

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sábado, 25 de janeiro de 2014

O Grito do Silêncio



O Grito do Silêncio

A quietude me levanta. 
O silêncio me mantém em pé. 
O mundo desaba aos meus pés.
Eu só quero descansar de tanto sofrimento. 
De tanta dor.
De tanto desespero. 
O desespero consome as vísceras; 
Expõe nosso interior: frio, triste, magoado, machucado. 
Tento chorar, mas as lágrimas não vertem. 
A árvore do choro não dá mais frutos.
A seiva secou. 
 Ficou só a vontade de pôr pra fora o que não há como ser dito. 
(Nem escrito.). 
 Ficou só a dor de não poder fazer nada. 
Um grito por dentro:
Silêncio.


 Paolla Milnyczul


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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sensível (Demais.).

Eu sou legal e tolerante, mesmo não tendo muita paciência. Mesmo. Juro. Mas quando preciso dizer que algo não me agrada, porque é errado, porque não dá pra segurar, aprendo a falar de maneira rude porém sem me alterar. Explodo internamente, mas não elevo a voz nem um tom. A gente aprende, com a vida, com a idade, com o amadurecimento, sei lá com o que, que não adianta ficar guardando coisas que devem ser ditas pra gente tirar o peso da vida. Não adianta, sabe? Não deixa ninguém feliz, não põe limite algum ficar deixando pra lá coisas que não agradam, coisas que te fazem sofrer, coisas que dão angústia interna, coisas que corroem estômagos. A gente tem que falar, tem que desfazer o nó da garganta e deixar leve o coração. Sem gritar, sem berrar, sem espernear, sem perder a educação, nem o brilho e o bom senso.
Se fizeram alguma coisa pra me deixar chateada? Sim. Não só uma pessoa: duas, três, quatro. Por aí ou mais.
Ando pra baixo, ando chateada, ando triste, ando com a língua afiada, ando sensível e precisando de atenção mesmo que não mereça tanto assim.
Porque quando não mereço atenção, mas preciso, é quando ergo aquela barreira de ferro, quase intransponível, que quase ninguém consegue passar por cima. Acho que uma ou duas pessoas conseguem. E mesmo assim, nem tanto. Ah, não, não to feliz. Acordo cansada. E vou dormir mais cansada do que acordei. E no dia seguinte acordo mais cansada do que quando fui dormir. Os músculos doem, a cabeça também, o pavio encurta cada vez mais, to com aversão à barulho e 'mimimi'. Sei muito bem disfarçar tudo isso, mas não consigo mais, sabe? Quem olha na minha cara sente a exaustão da alma. A sensibilidade anda tão demasiada que nem sei se é o coração ou as amígdalas que estão no lugar errado. Sinto vontade de chorar, mas não choro. Sou dura na queda. Quase nunca choro. Disfarço bem. Já disfarcei muita lágrima com sorriso, mas agora não dá mais. Se alguém me tocar do jeito errado, ou falar comigo do jeito errado, ou fazer algo que eu não goste, já dá uma vontade ambígua de chorar e socar a cara da pessoa ao mesmo tempo. (E não é TPM.). Será o fim do ano? Será o excesso de trabalho? Será a falta de amigos por perto? Será a falta de chorar? De desabafar? Não sei. Tô com uma angústia por dentro, sabe? Alguma coisa que aperta o coração e faz as borboletas no estômago morrerem intoxicadas de acidez. Quero ficar na minha, abraçar meu amor, e ficar quietinha, calada. Quero carinho, amor e chocolate em demasia sem engordar.
Quero que me ouçam e não retruque, porque eu só quero ser ouvida e nada mais. Não quero conselhos, não quero soluções, só quero falar. Só que não consigo falar. Ainda tenho esse problema, de ficar entalando as palavras nos nós em demasia no meio da garganta. Às vezes falo e saio de boba, de louca, de chata, porque estão muito acostumados com o meu silêncio e aceitação. Falam que eu sou misteriosa. (Sou? Se sou, nem sei.).
E eu preciso, tanto, tanto, ter alguém por perto sempre, sabe? Final de ano nunca é bom. Não sou muito natalina. Vou à festas, marco presença, mas saio logo. E se puder, este ano, não ir às festas, não irei. Falo que vou viajar, que não vou poder ir, mas este ano, eu realmente, irei trabalhar. Que é o que mais eu tenho feito ultimamente. Trabalhado. Trabalhando demais, sendo cobrada o dobro, mas reconhecimento, nada. (E viva o setor público brasileiro?...). 

Escrevo enquanto aguardo a resposta de dois e-mails. Será pedir demais? 

Paolla Milnyczul