segunda-feira, 11 de maio de 2015

Perdição



O olhar dela é como um chicote. Fere profundamente. Afasta quem ela não quer que se aproxime. Ao mesmo tempo, tem um profundo tom de melancolia e mágoa. Como o cair da tarde de Outono. Quando alguém tenta se aproximar, o olhar açoita com força e sem dó. Faz um corte profundo e tenso na alma. Ela é o tudo e o nada. Sofre calada, enclausurada. Sozinha. Afasta os outros para que não sintam como ela se sente: solitária, triste, fina, esticada. Ela sente muito tudo. Essa é a sua perdição.

Ela não sabe, mas trava uma batalha dentro de si.

Paolla Milnyczul

domingo, 3 de maio de 2015

Equilíbrio



Uma tranquilidade tão grande. Música clássica aos ouvidos. O silêncio que conforta. Bons amigos sempre ao lado. Domingo nublado, com cheiro de alecrim e sálvia. Dia que conforta. Paz que se faz presente. São pedacinhos do coração de um Anjo perto de mim.
Medito sem saber, só ao fechar os olhos.

Paolla Milnyczul

sábado, 25 de abril de 2015

Sim, Vai Ter Livro!

De uma hora para outra, tanta coisa pode mudar. Eu mudei. Você mudou. Mas a maior mudança para mim foi a realização de um sonho que tenho desde a adolescência: escrevi um livro. Isso mesmo, meu livro, "Inexata Certeza". Ele tem crônicas novas e algumas antigas,  prosa, poema e poesia, sendo que alguns textos poesias são inéditos.  
Assinei o contrato com Editora Deuses em Novembro de 2014 e desde então estou, junto com a Editora, na produção do livro, que até ontem estava nos últimos pequenos detalhes, e provavelmente será lançado ainda no primeiro semestre deste ano. Assim que houver uma data definida para lançamento do livro, avisarei. 

O prólogo é escrito pelo Hugo Dalmon (Espaço Zero), a orelha pelo Paulo Henrique Almeida (P. H. Almeida) e a contra-capa pela Joyce Xavier.

Um beijo,

Paolla Milnyczul 


sábado, 11 de abril de 2015

Andamos

Não há certezas nesta vida, e o mundo não é entendível - uma verdade que enlouquece quem a acha. Assim como as pessoas não são entendíveis, pois fazem parte da natureza. Quem disse que entendemos alguma coisa nesse mundo louco? Estamos todos indo para o mesmo lugar, sem saber. E nadamos contra a maré, porque precisamos, para dar sentido, apalpar algo novo, nos destacarmos, termos nossos nomes e corpos em lugares aonde os outros não estiveram. Seguimos, no final, com todas as nossas verdades impostas, como formigas vão ao formigueiro achando que estão contra o fluxo, para chegarmos à conclusão de que nada se entende. O não-ser-entendível é maravilhoso e alucinante. Assim como as pessoas. As pessoas são seres diferentes, e eu somente as observo e tento entender seus motivos, o que as impulsiona, o que elas acham-pensam-veem.
Observo aquela mulher que caminha devagar, com a bolsa meio jogada, um cigarro na mão, a cabeça nas nuvens (será?); o homem que quase corre, atropelando a mulher, ao mesmo tempo olhando o relógio e falando ao celular; aquela criança de mãos dadas à senhora que está com o cachorrinho na coleira, andando devagar e sem pressa, apreciando a paisagem meio urbana; o adolescente empenhado em sua leitura, sentado em um banco qualquer; o casal que briga em silêncio, de caras fechadas, mas de mãos dadas - carinho dado em meio ao silêncio dos enamorados - ; os garotos que andam em grupo - tão jovens! - com skates debaixo dos braços; as meninas de cabelos coloridos e piercings, mascando chicletes e falando alto; o universitário de estilo grunge, de óculos de grossos aros carregado de certezas, livros, e sempre com pressa. Somos todos diferente - somos todos tão iguais!
Andamos nas ruas, com nossas roupas de grife, nos achando melhor do que os outros por causa da bolsa Louis Vuitton, que está exposta numa das vitrines da Oscar Freire, sem saber que não somos melhores do que nada nem ninguém, sem saber que cada ser é um mundo à parte, que cada mente tem sua (in)certeza.
Andamos nas ruas, sem nada que nos dê a importância devida, com a mente palpável andando pelo universo, sem bolsas de marca nem botas de couro, arrastando o All Star por lugares jamais entendíveis dentro da nossa mente, sem certeza de coisa alguma, sem saber, sendo mais importante do que pensa, pois é a mente de pessoas não-entendíveis é o  que move e muda o mundo. 
Andamos nas ruas, sem pensar em nada a não ser um pedaço de pão, indo para nossas casas de papelão, sem nada que nos conforte ou abrigue, julgados pela sociedade inumana e imunda, sem nada que nos dê o mínimo de paz.

Quanto a mim, cruzo com as pessoas na rua e vejo o quanto são vazias, com as suas certezas eternas sobre tudo.

Paolla Milnyczul

sábado, 4 de abril de 2015

O Lápis e a Borracha




Um não sobrevive sem o outro. Foram feitos um para o outro. Lápis e borracha. O lápis foi feito para ser consertado, para ser apagado - mesmo deixando uma ou outra mancha aqui e ali. A borracha foi feita para deixar a palavra mais bonita, um trecho esquecido, para consertar coisas.
Há pessoas, situações, coisas, ou momentos, que são como o lápis: foram feitas para ser consertadas, e se não for possível, serem apagadas: da memória, da lembrança, da vida. 
A mesma coisa vale para a borracha: há pessoas, momentos, e coisas que apagam o mal que fez a pessoa-coisa-momento-lápis e seus borrões indescritíveis que nada são, nem ninguém entende.
Não desmereço o lápis, não mesmo! Ele serve como aprendizado puro - aprender é bom, mesmo que doa às vezes. Deve ser por isso que crianças começam a escrever com o lápis - ele serve para ser apagado pela borracha, e reconstruído com mais força.
Assim é na vida, sempre tendo que ser reconstruída com mais força.

Paolla Milnyczul