quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Um Dia Qualquer



O café, quente, fumega entre os dedos no copo descartável. O cheiro vêm às narinas, enquanto a tarde avança lentamente. Pessoas vão e vêm, passam arrastando pés cansados na rua, onde o calor efervescente desenha sombras esticadas. Um ou outro conversam bobagens. Nada de importante parece acontecer. Parece ser só um dia qualquer, na vida qualquer de qualquer pessoa. 
Mas não é um dia qualquer.
Este foi o dia em que se descobre o dilaceramento feliz de ser quem se é. Sem [pu]dores, poréns, porquês, dois pontos nem vírgula. A gente anda sem muita coisa, mas incrivelmente feliz. 
E segredo consiste em saber equilibrar-se em si mesmo, um segredo que cada um carrega consigo, e ninguém mais.

Paolla Milnyczul  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A(h), Ti


A(h), Ti

Ah, de ti, que me fizeste rir,
Menina de bonito ser,
Sorriso lavado,
De puro espírito,
E alma infantil.

Em tardes quentes,
Gargalhadas imberbes;
em meio à Bukowski e Wilde;
Leminsky, Martin
e Tolstói.

De ti, quero o sorriso
De ti, quero ouvir-te a voz
De ti, quero o poder de acreditar
Que o perdão existe,
Que o bem vence.

Ah, de ti, moça branca, 
De pele bonita e cabelos de ébano,
Quero somente a amizade
Pura em sua simplicidade
Bonita somente por existir.

(Eterna para almas ingênuas.).

Paolla Milnyczul 



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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Conexão

Eu gosto do silêncio. Do calor da sensibilidade silenciosa do mundo, não do frio vazio de palavras ditas altas demais ao léu. Coloco fones de ouvido enquanto falam sem dizer nada.
Olho para o lado, para o nada. Sonho acordada. As pessoa falam. Não percebem que quero a solidez momentânea da solidão. Balanço a cabeça mesmo sem ouvir nada para os lados, para baixo, para cima, enquanto elas não percebem que não estou mais lá, que já estou em outro lugar, em outro tempo   em meu próprio tempo, na minha própria cabeça, entregue às sutilezas estonteantes da alma em prosa contínua. Encontro paz em minha alma, lugar inalcançável para tantos, mas palpável somente por mim e pela arte.
É tanto papo, e são tantas palavras jogadas ao tempo, ao vento, ao nada.
Então, finalmente, silêncio. Finalmente, não falam. Estão entregues ao próprio pensamento. À sua própria solidão. Alguns à sua própria alma. Outros, ao seu próprio barulho interno. Raros, ao seu próprio silêncio.
Então  e só então  forma-se a conexão.
O silêncio mútuo conecta as pessoas, de uma forma que nenhuma palavra fará.

Paolla Milnyczul

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Século XXI


E aí ficamos assim, perdidos em caminhos retos e certos, e se [re]encontrando em curvas. 
E não há nada melhor que isso. Não há nada melhor do que se encontrar, leve e dilacerante, efêmero e louco, visceralmente exposto e preso em si mesmo; picante e sem entremeios, louco pra ter tudo, louco pra ver tudo, pra saber tudo; por ser tudo. 
Se encontrar perdido entre os ponteiros do tempo, que se esvaem em entrelinhas,
Se encontrar soldado entre as areias excruciantes do ser.
E, nestes tempos  cruéis, inexatos, incertos, enlouquecidos , como é difícil encontrar a nós mesmos. Sempre nos encontramos perdidos e jogados à sarjeta inumana da escuridão dos bytes. Esfolados, sem pele, músculos e dentes. 
O que nos sobra? A racionalização da emoção. Nos sobra  e tão somente!  , a coragem pra continuar. Colocamos sorrisos automáticos em rostos de concreto. Procuramos pontos de equilíbrio rodando como perus bêbados em véspera de Natal. Ah, o tão procurado equilíbrio, ele só se estabelece quando não percebemos.
Equilibrados, e só então, vemos:
O mundo nos corrói. Somos todos autômatos. 

Essa é a grande tristeza do século XXI.

Paolla Milnyczul


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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ah, Moça Marylin!

Os anos vêm correndo a trote inenarrável, um após o outro, e a gente nunca se prepara para o que pode acontecer, para o real, para coisas que não temos controle: tempo, gravidade, morte, vida. A maioria não sabe disso. A maioria segue o fluxo. Os artistas - os verdadeiros artistas - não seguem o fluxo, eles seguem suas almas, ele veem o impensável, eles sabem do que está por vir, eles preparam suas almas para o improvável. Os artistas sentem e não podem fazer nada. Nunca temos controle de nada. A vida nos envolve de uma maneira que não nos deixa pensar na lei da gravidade, na ciclo dela mesma. 
Alguns percebem. Alguns sabem. Alguns têm o lirismo na alma e a realidade na vida. Alguns sugam tudo o que a vida oferece. Alguns têm um coração grande demais pra caber no peito - ele se estende além.
Alguns sorvem tudo de uma maneira que poucos fazem. Alguns. Os grandes. Os formadores de opinião. Os que tocam em temas polêmicos e fazem da discussão sobre estes temas uma arte. Os que não concordam com tudo. Os que discordam da maioria. Os que falam o que a alma sente. Os que são racionais sem ser. Os que cativam e são cativados com paciência e observação. Os que não dão espaço a qualquer um. Os que falam a verdade na cara - doa a quem doer. Os que colocam os pingos nos devidos 'is'. Os que lideram. Os que não têm pena, pois veem a vida cruel como ela é. Os que falam o que pensam de um maneira que todos - e ao mesmo tempo tão poucos! - entendem.
Os que se parecem com você - pois você não é nada boba, apesar de parecer ser maluquinha.
Alguns têm pausas e respeitam teu silêncios, e mais do que respeitam, eles o entendem e afagam nossa cabeça e coração. Alguns agitam nossa vida como um caldeirão do qual sai magia e bem querer. Alguns acreditam nas mesmas coisas que você. Alguns têm cristais. Alguns são discretos - ah, estes são os maiores, pois escrevem tudo o que você nunca acha que escreveriam e justamente por isso surpreendem e são vistos com outros olhos, e isso é maravilhoso! Alguns não só sonham, como também  realizam. E te dão a coragem necessária pra realizar os seus sonhos. Alguns você confia. Alguns te falam para ter coragem, alegria, porém também a frieza necessária para sobreviver. Alguns leem a sua mente - sabem quando esta chateada, feliz, alegre, lírica, pensativa ou quieta. 
Alguns escrevem sobre Srta. Gladys e me fazem chorar, coisa difícil que é.
Alguns não. Só um descreveu a mim e à Srta. Gladys com perfeição e precisão milimétrica sem saber. Um? Não: uma. Uma artista. Uma amiga. Uma irmã. De alma, coração, crenças e cristais. Uma. Uma moça que tem pausas. Que conquista a todos com seu jeito quieto e observador, com sua discrição enigmática. Uma moça que escreve sobre o mundo com lirismo e poesia, polemizando sobre qualquer assunto do qual não se fala sem dó nem piedade. Uma moça loira que irá se surpreender pelo que foi escrito. Uma artista enigmática que só entende que lê as entrelinhas. Quem a entende. Uma artista completa. Menina de alma antiga. Exemplo a ser seguido.
Mulher com ares de menina, sem dois pontos nem aspas. Ela é Marylin Monroe e nem sabe. 
Minha querida Adorável Pecadora, mulher do frio e do loiro perfeito, dos meios e entremeios do pensamento, menina que sonha com fadas e luas cheias, mulher de pausas quilométricas e fala bonita: não precisa sonhar com fadas, pois você é a fada, o real e o irreal.  É tudo aquilo que quer ser. 
E só tenho algo a dizer: muito obrigada por TUDO!

Paolla Milnyczul